O golpe começa a dar água

Chegamos ao mês de abril de 2017 e o cenário político permanece em convulsão no país, evidenciando o abandono da ordem constitucional por parte das forças retrógradas que protagonizaram o golpe à democracia com o afastamento, sem crime de responsabilidade, de uma presidente eleita.

Com a cumplicidade da mídia, totalmente subordinados à financeirização da economia, tomaram o poder propondo uma agenda nacional sob a premissa da criminalização da política e do falso combate à corrupção. Nessa irresponsabilidade agravaram a crise política produzindo um enorme conflito institucional, que fertiliza perigosas retaliações. O caos criado no vácuo gerado pela violação do Estado Constitucional de Direito torna-se cada vez mais incontrolável.

O golpe começa a dar água e já não se sustenta na bravata anticorrupção que os unificava perante o símbolo do pato empresarial da Fiesp, revelador da captura do Estado pela financeirização econômica.

Em sua ilegitimidade Temer está ‘emparedado’ e setores mais à direita junto com o tucanato repelem a companhia incômoda do parceiro PMDB, carimbado pela incriminação de réus como Cunha e Renan. Difícil equilibrar essa equação para alguém que governa numa interinidade usurpadora.

O PSDB, verdadeira expressão política orgânica do bloco dominante, começa a se movimentar numa espécie de golpe dentro do golpe, preparando o caminho para a semi legitimidade de um governo transitório eleito de forma indireta no Congresso após a cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE.

Os tenentes de toga jogam papel fundamental no controle do poder judiciário sobre a política, sem o qual já teria havido violenta ruptura institucional.

O Brasil está sentado sobre um barril de pólvora que é a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, Ambas atacam diretamente os direitos de um povo que não vai aceitar pacificamente a supressão arbitrária de suas conquistas passadas e recentes.

Tem gente que esquece que a história tem ralo.

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