O METEORITO DE SANTA LUZIA A Collecção da Escola de Minas de Ouro Preto

 

Essas pessoas são, da esquerda para direita: Austregésilo Reis; José Irineu de Mello, secretário da intendência municipal; Alipio Ribeiro, motorista; dr. Antônio Borges dos Santos, médico e senador estadual; dr. Clovis Roberto Esselim, juiz de direito da comarca; Gelmires Reis, prefeito municipal; Jorge Telles, conselheiro municipal; Joaquim Gilberto, conselheiro municipal; Adelino Braz de Queiroz, procurador fiscal do município; Sebastião Lerverger, Telegraphista (telegrafista); dr  Joaquim da Camara Filho, engenheiro-agrônomo.

 

Domingo 21 de outubro de 1928

 

Santa Luzia e uma cidadezinha muito tranquila e muito pequena, lá dos confins de Goyaz (Goiás).  Mas, nem por isso deixa de enviar-nos, de vez quando, notícias de factos (fatos) curiosos.

 

Há cerca de 9 annos (anos), Santa Luzia viveu dias alvoroçados.   Um tremer de terra, precedido de um formidável estrondo, que todos sentiram que vinha da banda do córrego do “Negro Morto”, a alguns quilômetros da cidade, abalou toda aquella (aquela) gente, como nós apenas habituada como os terremotos na Itália, no Japão, o que é quase a mesma coisa que dizer em outros mundos.

 

Pouco depois, sabia-se que não havia sido tremor de terra, mas uma coisa muito mais extraordinária: um bólido! (Corpo de grande velocidade; projétil meteoritos brilhantes e inflamados).  Alguns curiosos batendo o campo encontraram à beira do córrego, encravado no chão duro, aquele presente do espaço, que fizera tremer toda Santa Luzia.  Por muito tempo o negro pedrouço (grande amontoado de pedras – Dicionário Houaiss) foi a novidade da terra.  Depois, foi entrando com o seu mistério, pouco a pouco, para o esquecimento.  De vez em quando, a propósito de qualquer coisa, lá ressuscitavam a velha história, já integrada nas chronicas (crônicas) da cidade.  Havia, porém quem dissesse que a tal pedra cahida (caída) do céu era uma lenda como qualquer história de sacys (sacis) e lobishomens (lobisomem).  Mas nem todos estavam por isso e um bello (belo) dia, após uma estafante caminhada de bons kilomentros (quilômetros) sob o sol de Goyaz (Goiás), voltaram alguns dos filhos da terra, triunphantes (triunfantes), com fragmentos da pedra mysteriosa (misteriosa), retirados com esforços inauditos (que jamais se ouviu soar ou de que nunca se escutou falar – Dicionário Houaiss), a força do malho e talhadeira.  No dia seguinte as amostras seguiam rumo de Ouro Preto, endereçadas para a Escola de Minas e acompanhadas do histórico da sua origem e do pedido de uma resposta com todos os esclarecimentos.

 

Isso foi em 30 de abril último.  A resposta não se fez esperar muito.  Chegou e encheu de alegria e orgulho o bom povo de Santa Luzia, que ao bólido já se habituara, a chamar pelo mesmo nome da cidade e por isso mesmo a estima-lo coma a esta mesmo.   Era uma carta do director (diretor) da Escola de Minas, breve e concisa, mas dizendo muito mais do esperavam todos:

 

“Escola de Minas de Ouro Preto, 23 de maio de 1928.

Sr. Gelmires Reis – Santa Luzia – Estado de Goyaz.

 

Respondo a sua carta de 30 de Abrill (abril) p. passado, acompanhando um pequena caixa de amostras para estudos, que me solicita com urgência.  Satisfazendo o seu pedido, cabe-me informar que se trata effectivamente (efetivamente), de um meteorito, authenticado (autenticado) pela sua composição e estrutura.  Pelas dimensões que me communica (comunica), não é elle (ele) um meteorito commum (comum), já podendo entrar no rol dos grandes ferros.

 

A escola de Minas é um velho instituto federal que recebe de todo o Brasil a mocidade que deseja aprender a ter curiosidade pelas coisas naturais do Brasil, de que possui uma das mais ricas colecções (coleções).  E a velha Escola, que tanto tem concorrido para o conhecimento do nosso caro torrão, muito se honraria se pudesse ter o “Santa Luzia” em lugar de destaque de sua collecção.

 

Se v. s. concordar com este destino para o notável holosidero (meteorito) que é o “Santa Luzia”, esta directoria (diretoria) providenciará para a sua vinda e, nessa hypothese (hipótese), será fineza indicar a forma pela qual se effectuará (efetuará) o transporte até Viannopolis (Vianópolis) (Tavares e aproximadamente o custo desse transporte.

 

Aguardando a fineza de sua resposta, antecipo agradecimentos, ele, (a) D. Fleury da Rocha, director (diretor)”.

 

Não é preciso dizer que a cidade concordou com o destino alvitrado pelo distincto (distinto) engenheiro.   O “Santa Luzia” já pertence à Collecção (coleção) da Escola de Minas de Ouro Preto.

 

Os clichês que acompanham a nossa noticia reproduzem duas photographias (fotografias) quando ser procediam excavções (escavações) para retira o bólido do leito profundo que para si próprio excavara (encravará), ao tocar a terra, graças à velocidade fantástica com que chegou, quem sabe lá de que outro mundo.

 

O intendente municipal de Santa Luzia, sr. Gelmires Reis, a quem devemos estás duas photographias(fotografias), enviou-nos também mais algumas informações que resumimos a seguir.

 

O “Santa Luzia” cahiu (caiu) na cabeceira do córrego “Negro Morto” afluente da margem esquerda do ribeirão “Paiva”, na fazenda deste mesmo nome, a 18 Kilometros (quilômetros) da cidade e dentro da área demarcada para futura capital da República.  Apresenta as seguintes dimensões:  comprimento, 120 centímetros; largura 80 cm; altura, 40 cm; peso aproximado 1.500 Kilos (quilos).   A sua superfície é muito irregular, anfractuosa, dando a impressão da carapaça de um grande jaboty (jaboti).  Na face superior, mostra três depressões maiores de bordos regulares, de mais ou menos um decímetro cubico cada uma.

 

O  “Santa Luzia” achava-se enterrado a 60 centímetros da superfície.

 

As photographias (fotografias) foram tiradas durante o trabalho feito para remove-lo.  Na primeira, vê-se a face superior do bólido e também as alavancas e suportes de madeira, que o seu grande peso exigiu fossem empregados a excavação (escavação)  as pessoas que da cidade acorreram ao local para auxilliar (auxiliar) o trabalho ou por simples curiosidade. 

 

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