Nessa "briga" por Goiás estão ainda Daniel Vilela, Gustavo Mendanha e Jânio Darrot...



“Jogo bruto”

O mundo político começa a se movimentar rumo às eleições de 2022, e neste jogo bruto, o instinto de sobrevivência se sobrepõe ao de solidariedade. De um lado, o governador Ronaldo Caiado busca a todo custo a sua reeleição. Sua estratégia desde o início do governo se ancora no recrutamento de lideranças que no passado apoiavam o ex-governador Marconi Perillo, especialmente os deputados federais e estaduais. Caiado conseguiu a adesão dos maiores expoentes do marconismo.

Adversários, agora aliados

Em 2019, Caiado comprou o passe da maioria dos deputados marconistas para garantir maioria na Assembleia Legislativa. No entorno, os deputados Diego Sorgato, Wilde Cambão e Tião Caroço que durante anos juraram amor e fidelidade à Marconi Perillo aderiram ao Governo de Caiado e nem tocam mais no nome do ex-governador. O pacote contemplou também o deputado federal Célio Silveira, vice-presidente nacional do PSDB e tucano de alta plumagem, que por duas décadas era presença assídua no Palácio das Esmeraldas, inclusive ocupando cargos no primeiro escalão do governo Marconi.

Composição consolidada

Na oposição ao governo o mega empresário do ramo de confecções Jânio Darrot, ex-prefeito de Trindade e recém filiado ao Patriota transborda animação e vitalidade. O Patriota articula uma aliança com o PSL, liderado pelo deputado federal Delgado Valdir, que deverá disputar uma vaga para o senado em 2022 na chapa de Jânio Darrot. O Delegado Valdir foi campeão de votos nas duas últimas eleições, 2014 e 2018, colocando nas urnas quase 300 mil votos. O empresário e mago da comunicação Jorcelino Braga, que comanda o Patriota em Goiás, afirmou em nota no último final de semana que a candidatura de Jânio Darrot ao governo estadual está consolidada. Agora, ele busca um nome para compor a chapa majoritária. A aposta é que o vice-governador deve representar o Entorno do Distrito Federal, região adensada que possui 20% do eleitorado de Goiás, especialmente, porque o governo de Caiado não conseguiu implementar nenhuma obra de vulto na região e a população se sente abandonada pelo poder público goiano.

Marconi ou Zé Eliton?

No PSDB a discussão está em lançar Marconi Perillo para concorrer ao cargo de governador ou para a Câmara Federal, pois o tucano poderia ser um “puxador de voto” para deputado federal. Nesta hipótese, os nomes cotados para disputar o Palácio das Esmeraldas sairia do próprio PSDB. Os mais cotados são o ex-governador Zé Eliton José Eliton, Paulinho Rezende, ex-prefeito de Hidrolândia, ou Valmir Pedro, prefeito de Uruaçu.

Daniel ou Gustavo Mendanha?

O MDB pode bancar Daniel Vilela, que disputou as eleições de 2018 com Caiado ou Gustavo Mendanha, prefeito reeleito de Aparecida de Goiânia. Gustavo é muito bem avaliado na região metropolitana de Goiânia. O problema do MDB é que Daniel não pode ficar sem mandato e uma segunda derrota para o governo poderia aposentar precocemente o jovem político. Há ainda um movimento palaciano sendo orquestrado para trazer Daniel Vilela para o governo com o objetivo de minar as oposições.

Nas eleições de 2018 Daniel Vilela foi intensamente cortejado para compor a chapa de Ronaldo Caiado, mas declinou do convite argumentando que Caiado não é confiável, além de ser um péssimo companheiro político. Muitos dos companheiros políticos históricos que ajudaram Caiado a eleger-se Governador de Goiás foram preteridos na composição do governo e nas eleições de 2020, pelos gatos palacianos que bajulavam Marconi Perillo nas últimas duas décadas.

No MDB há um movimento raiz de confrontar o Governador, sendo difícil construir um alinhamento com Caiado, especialmente porque ele rivalizou a campanha de Goiânia contra Maguito Vilela, que após o falecimento precoce acabou se tornando uma espécie de mártir do MDB. Vale lembrar que Maguito Vilela disputou e derrotou Ronaldo Caiado nas eleições de 1994 para o Governo Estadual. É público que eles nunca tiveram um bom relacionamento.

Correndo por fora...

O PT parece estar aguardando uma oportunidade de se juntar ao candidato regional que estiver disposto a hipotecar apoio à candidatura de Lula, no âmbito nacional, provavelmente o PSDB.

De olho nestas articulações e cobiçando o senado federal gravitam o Republicanos e o PP, de João Campos e Alexandre Baldy, respectivamente, que buscam espaço para acomodar suas pretensões e ambições políticas. A dança das cadeiras vai começar.

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