Reforma de Bolsonaro agrada Centrão e traz insatisfação as Forças Armadas



O governo Bolsonaro promove a primeira grande reforma ministerial de seu governo. Após a saída de Eduardo Pazuello, com a nomeação de Marcelo Queiroga para seu lugar, no Ministério da Saúde, mais seis ministérios, totalizando sete, ganham novos gestores. A reforma ministerial feita pelo presidente Bolsonaro inclui trocas na Casa Civil e na Secretaria de Governo, ambas ligadas à Presidência da República, no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Ministério das Relações Exteriores, no Ministério da Defesa e na Advocacia-Geral da União (AGU).

A mudança agradou o Centrão e trouxe muito embaraço ao comando das Forças Armadas que tinha na figura do general Fernando Azevedo e Silva um aliado e conciliador entre as Forças Armadas e o Presidente da República – Um imbróglio que Bolsonaro terá que conviver daqui para a frente.

No comando da Casa Civil está o general Luiz Eduardo Ramos, em substituição ao também general Walter Braga Netto. Ramos, que até então ocupava a Secretaria de Governo, foi substituído pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), que faz parte da base de apoio do governo no Congresso. Já Braga Netto será deslocado para o comando do Ministério da Defesa no lugar do general Fernando Azevedo e Silva. Braga Neto tem estreitos laços com o Presidente Bolsonaro.

Na AGU, o governo anunciou o retorno de André Mendonça como advogado-geral, deixando então o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele entra no lugar de José Levi, que informou sobre sua saída do cargo. Mendonça volta a ocupar o mesmo cargo em que esteve até abril de 2020, quando substituiu o ex-ministro Sergio Moro no comando do MJSP. Em seu lugar no ministério, assume o delegado da Polícia Federal, Anderson Gustavo Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Também deixa o cargo no Ministério das Relações Exteriores Ernesto Araújo. A atuação do chanceler vinha sendo questionada pelo Congresso Nacional. Parlamentares governistas e de oposição tanto da Câmara quanto do Senado pressionaram pela saída do ministro da pasta, especialmente por causa das relações do Brasil com a China e na condução diplomática para o enfrentamento à pandemia de covid-19. Governadores também se manifestaram favoravelmente.

Ernesto Araújo estava no comando do Itamaraty desde o início do governo Bolsonaro e, em seu lugar, assume o diplomata Carlos Alberto França, atualmente assessor especial de Bolsonaro, mas que até poucos meses atrás ocupava o cargo de chefe do cerimonial da Presidência da República. França foi promovido a ministro de primeira classe (embaixador) em 2019, o último posto da carreira diplomática. No exterior, atuou como ministro-conselheiro na Embaixada do Brasil na Bolívia e também serviu em representações diplomáticas em Washington (EUA) e Assunção (Paraguai).


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